NOTICIAS SOBRE A BAIXADA.

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sexta-feira, 10 de abril de 2015

MORADORES DAS COMUNIDADES DIQUE 1 E 2 REALIZAM O SONHO DA CASA PRÓPRIA -NA BAIXADA FLUMINENSE



DUQUE DE CAXIAS - As casas improvisadas às margens do Rio Sarapui deixaram de ser a realidade para 500 famílias que durante anos viveram nas comunidades Dique 1 e Dique 2, em Duque de Caxias. Elas receberam nesta quinta-feira (9/4), seus apartamentos no Condomínio Volterra, no bairro Nossa Senhora do Carmo, em solenidade que teve a presença da presidente Dilma Rousseff, do governador Luiz Fernando Pezão e do prefeito Alexandre Cardoso e do ministro das Cidades, Gilberto Kassab.


Em seu discurso, o prefeito Alexandre Cardoso falou sobre a importância do papel do governo federal para Caxias, destacando que o município vive um momento especial. “Caxias vive uma relação especial com o governo federal, que tem contribuído para a cidade em vários projetos, como os de combate a enchente e da implantação de 120 quilômetros de ciclovia”, disse o prefeito Alexandre Cardoso.


Para a presidente Dilma Rousseff, os apartamentos do Condomínio Volterra são uma forma de dar dignidade as pessoas, e destacou que Caxias receberá novos investimentos do programa habitacional. “Somente no município de Duque de Caxias, serão entregues ainda 6.500 unidades habitacionais. Ao todo, cerca de 10 mil famílias serão contempladas nesta fase do programa”, garantiu a presidente, que elogiou a parceria com o prefeito Alexandre Cardoso.



Já o governador Luiz Fernando Pezão ressaltou as mudanças que o país passou desde o governo do ex-presidente Lula que permitiu pessoas que recebiam até três salários mínimos tivessem crédito e pudessem ter um imóvel de qualidade, como os do programa Minha casa, minha vida. Vamos resolver um problema que afeta a Baixada, que é a falta de água. Já compramos 800 quilômetros de tubos. Estamos desenvolvendo uma parceria público- privada para solucionar a questão do esgoto na Baixada e São Gonçalo”, comentou.



O ministro das Cidades, Gilberto Kassab, revelou que a terceira fase do programa será iniciado e a expectativa é o de entregar cerca de seis milhões de moradias, até 2018, e mais 1,6 milhão este ano.

Estiveram presentes ao evento a primeira dama e secretaria de Ações Institucionais e Comunicação, Tatyane Lima, o vice-prefeito Laury Villar, a presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Mirian Belchior, todo o secretariado municipal, o presidente da Câmara, Eduardo Moreira, o secretário estadual de Ambiente, André Correa, o presidente do Instituto Estadual de Ambiente (Inea), Marco Aurélio Damato, deputados federais e estaduais, vereadores, a presidente e lideranças sindicais.
Fim do pesadelo
Primeira moradora a receber o apartamento de dois quartos, sala, cozinha e banheiro, a aposentada Heloísa Helena de Souza, 77 anos, viu chegar ao fim o pesadelo que vivia na comunidade do Dique, sempre temendo a cheia do Rio Sarapui ou a chuva. “Estou realizando um sonho. Não acreditei quando disseram que iria ter uma casa própria. Durante anos desejei ter minha casa, mas o dinheiro que consegui guardar só deu para comprar na comunidade.  Agora, minha vida irá mudar. Não vou ficar preocupada com a chuva”, conta a dona de casa que mora com a neta Noemi Messias, de 16 anos.






Via; PMDC
Matéria de;ANDRÉ SOUZA

segunda-feira, 23 de março de 2015

Helicóptero de construtora é usado pelo prefeito Nelson Bornier para ir da Barra (onde mora) a Nova Iguaçu

O helicóptero de uma construtora é usado pelo prefeito Nelson Bornier para ir da Barra a Nova Iguaçu

NOVA IGUAÇU - Os vizinhos do Heliporto de Nova Iguaçu, na Rua Paraná, no Jardim Iguaçu, já se acostumaram com a rápida mas rotineira passagem do prefeito Nelson Bornier pelo bairro de ruas esburacadas e calçadas tomadas pelo mato. Há dois anos, a localidade passou a integrar o trajeto do político, que vive num apartamento duplex em frente à Praia da Barra. Ele costuma sobrevoar a área a bordo de um helicóptero que usa para chegar ao trabalho. Bornier não é o único chefe do Executivo de um município da carente Baixada a manter residência na Barra da Tijuca. Dos 12 prefeitos da região, metade tem endereço em áreas nobres do estado, quase sempre na Barra.

Na lista dos prefeitos que têm domicílio eleitoral na Baixada, mas vivem na Barra, constam ainda Max Lemos (Queimados), Alexandre Cardoso (Duque de Caxias), Alessandro Calazans (Nilópolis) e Luciano Mota (Itaguaí). Sandro Matos, de São João de Meriti, não vive à beira-mar, mas mora num condomínio de casas de luxo em Jacarepaguá. Apenas Max, Alexandre e Alessandro, no entanto, declararam ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) os endereços fora das cidades que administram.

E se o domicílio eleitoral vale apenas para juiz ver, entre os moradores dos municípios não é novidade que os prefeitos morem fora. No bairro Ponte Preta, em Queimados, onde Max Lemos cresceu e costumava frequentar cultos na Igreja Batista, os antigos vizinhos sabem que o alcaide hoje mora num apartamento no Jardim Oceânico, na Barra. A assessoria de Lemos informa que o imóvel foi comprado por meio de financiamento e que o prefeito também possui residência na cidade da Baixada, onde vive parte de sua família.

Procurados pela reportagem, Alexandre Cardoso, Alessandro Calazans, Luciano Mota e Sandro Matos não se pronunciaram.

Para escapar do trânsito no percurso de 39 quilômetros entre a Barra e Nova Iguaçu, Bornier usa o helicóptero Esquilo, prefixo PR-HRC, que está em nome da São Marcos Terraplanagem e Construção. O prefeito não informou ao TRE sobre o apartamento onde vive no Atlântico Sul. Seu hábito de chegar e sair voando da cidade já virou motivo de piada entre os moradores, que lembram que uma de suas promessas de campanha era desatar o nó do trânsito na região:

— Pelo menos para ele, não há mais engarrafamento no caminho para o trabalho — ironiza o comerciante Ricardo Fernandes.

Na Padaria do Rafael, nos arredores do heliporto, onde os quatro seguranças do prefeito costumam tomar café enquanto aguardam a chegada do helicóptero, alguns contam que até aproveitam a rotina para tentar abordá-lo sobre problemas da cidade:

— Bornier sai direto da pista de pouso num Kia todo preto, que é acompanhado pelo carro dos seguranças. Uma vez, o vidro estava aberto e eu pedi para ele asfaltar uma rua do bairro, que estava muito esburacada. Mas nada foi feito — lembra o aposentado Enéas Pereira.

Com exceção de dois — Nestor Vidal (Magé) e Sandro Matos —, dez prefeitos de cidades da Baixada são alvos de inquéritos e processos, totalizando 24 procedimentos investigatórios. Desse total, Bornier é citado em seis deles, por supostas práticas de atos de improbidade administrativa, crime de responsabilidade e sonegação de impostos.

Bornier, por meio de nota, diz que as ações na justiça estadual e federal levantadas pelo GLOBO “não revelam qualquer fato novo de interesse público”. Ainda segundo a assessoria do prefeito, Bornier não foi condenado nas ações, sequer em primeira instância. O documento confirma que o prefeito “tem há duas décadas um imóvel no Rio para descanso”, sem mencionar a localização. Quanto ao uso do helicóptero, a nota informa que a aeronave “é gentilmente cedida por um amigo do empresário, que nada recebe em troca”.

Os demais prefeitos, em defesas encaminhadas aos órgãos responsáveis pelas investigações, negam qualquer prática ilegal.

ESPECIALISTA DEFENDE MECANISMO DE CONTROLE

O levantamento que mostra que 70% dos prefeitos de municípios do Estado do Rio são citados em investigações ou processos judiciais surpreendeu a diretora-executiva da Transparência Brasil, Natália Paiva. Ela observa que o resultado é muito superior ao percentual constatado em um estudo, elaborado por uma equipe da entidade, sobre os parlamentares da Câmara Federal.

— Nossa pesquisa revelou que 52% dos 513 deputados federais respondiam a algum tipo de investigação ou processo judicial. Comparando os levantamentos, o índice obtido pelo GLOBO, referente a prefeituras de cidades do Estado do Rio, surpreende por superar em quase 20% o verificado na Câmara — diz Natália.

Para a diretora-executiva da Transparência Brasil, os números apontam um quadro preocupante, mas, por outro lado, apontam que um esforço está sendo feito para frear desmandos por parte de políticos. Natália Paiva afirma, no entanto, que o quadro atual indica que “os prefeitos são quase como reis absolutistas”, que agem como se estivessem acima das leis e, sobretudo, ignoram os anseios de seus eleitores.

A diretora-executiva da Transparência Brasil alerta que ainda é preciso aumentar os mecanismos de controle das administrações municipais, sobretudo, no interior do país:

— Se, no Rio de Janeiro, 70% dos prefeitos são suspeitos de alguma prática de improbidade ou outros crimes, imagine o que acontece em estados das regiões Norte e Nordeste.



Via O Globo
22/03/2015