NOTICIAS SOBRE A BAIXADA.

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segunda-feira, 20 de julho de 2026

DESEJO INTERROMPIDO
"Desejo Interrompido": quando a liberdade feminina encontra o muro da violência de gênero Há histórias que não são apenas contadas — elas precisam ser ouvidas. É essa a proposta do longa-metragem "Desejo Interrompido": uma obra que alia sensibilidade artística e forte compromisso social para dar voz a uma realidade vivida por milhões de mulheres no Brasil e no mundo. Voz feminina na linha de frente da criação A própria construção do filme já carrega a mensagem que ele quer passar: a equipe coloca mulheres em posições centrais, conduzindo cada etapa da narrativa. Da esquerda para a direita, a foto registra quem faz esse projeto acontecer: - André Gonçalves: ator e um dos diretores, responsável por dar forma visual e emoção à história; - Juliana Azevedo: produtora executiva da DGO Produções Associadas, roteirista e também protagonista — ela quem escreve e quem vive na tela a trajetória da escritora Ingrid; - Fernando: codiretor, que divide com André a missão de conduzir toda a trama; - Sandro Cardoso: ator coadjuvante, que ajuda a construir o universo ao redor da personagem principal. A produção executiva também tem a assinatura de Dayse Souza, ao lado de Juliana, pela DGO Produções Associadas. Mais do que uma equipe, é um time que entende: para falar de mulheres, é fundamental deixar que elas também comandem a história. O sonho de liberdade interrompido Ingrid vive o momento mais brilhante da sua carreira: prestes a lançar um novo livro, depois de anos superando relacionamentos abusivos que deixaram feridas profundas. Ela finalmente sente que tem o direito de viver seu desejo: ser livre para escolher seus afetos, sua intimidade e seu caminho, sem pedir permissão. Mas o destino cruza com Rodrigo: bonito, carismático, aquele estilo de "bon vivant" que chama atenção — mas que vive às custas de uma viúva milionária e não demonstra o menor interesse pelos sonhos, pela literatura ou pela história de Ingrid. O que parecia ser o começo de uma nova fase se transforma rapidamente em controle e violência. O desejo de autonomia da protagonista é brutalmente interrompido — e com ele, vemos refletida a realidade de tantas mulheres: a ideia equivocada de que homens teriam o direito de decidir sobre os nossos corpos, as nossas escolhas e as nossas vidas. Um alerta para a realidade brasileira O filme não conta apenas uma história individual. Ele expõe a estrutura patriarcal que alimenta a violência de gênero: a crença de que a liberdade de uma mulher é algo que pode ser concedido — ou retirado — por outra pessoa. A obra mostra que ser livre não é só questão de carreira ou dinheiro: autonomia também é emocional, sexual, psicológica e patrimonial. E que mesmo mulheres que conquistaram espaço e reconhecimento continuam vulneráveis a tentativas de silenciamento. E a mensagem chega com força ao Brasil: um dos países que mais registra mortes de mulheres por razão de gênero no mundo. O feminicídio não surge do nada: é a consequência mais grave de uma cultura que começa no controle, na posse e na negação do direito de cada mulher ser dona de si mesma. Mais do que um filme: um chamado à resistência