NOVA IGUAÇU - Funcionários afirmam que bebida foi cortada para conter gastos. Vereador diz que medida foi só durante o recesso.
Do governo federal à menor das prefeituras, o momento é de apertar o cintos. Até mesmo a presidente Dilma Rousseff deu o braço a torcer e admitiu que o país passa por uma crise econômica. Para conter as despesas, a Câmara de Nova Iguaçu agiu rápido: acabou com o cafezinho dos funcionários — os vereadores, ao que tudo indica, não foram afetados pela medida.
Pelo menos é o que contam os servidores que, por motivos óbvios, não quiseram se identificar. O presidente da Casa, Maurício Morais (PMDB), nega.
A polêmica decisão não foi bem recebida por quem passa o dia trabalhando na Casa. Segundo funcionários, tudo começou há duas semanas.
— Um belo dia, o consultor geral da Câmara, Ronaldo Santana, levou nossa garrafa. Só depois soubemos que o cafezinho havia sido suspenso — conta o servidor: — E ainda tiraram os bancos da recepção. Quem chega para falar com os vereadores fica em pé ou vai embora.
Para se manterem acordados, os servidores têm que ir à padaria da esquina e pagar R$ 1,50 pela bebida. Desconfiado, o balconista diz que o movimento do comércio não aumentou muito, mas admitiu que, nas últimas semanas, passou a escutar reclamações de servidores, indignados com o racionamento.
— O que adianta tirar o nosso cafezinho? Até parece que gastam muito com isso. Deviam se preocupar com coisas mais importantes — lamenta outro servidor.
A Câmara não informou qual foi a economia com o pó de café, açúcar e adoçante. E muito menos o que será feito com esses recursos em caixa.
— O café só foi recolhido durante o recesso parlamentar. Está tudo normal — garante Maurício Morais.
Através da assessoria, Santana afirmou que as reclamações não procedem.
Questionado se pretende aplicar a medida na prefeitura, o prefeito Nelson Bornier se esquivou depressa:
— Isso aí é problema deles, não tenho nada com isso.
Via Jornal Extra
Por Mariana Navarro Lins
Caderno Mais Baixada
19/03/2015
