NOTICIAS SOBRE A BAIXADA.

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segunda-feira, 23 de março de 2015

Pedreiros do “Minha Casa, Minha Vida” vivem em condições precárias



ESTADO DO RIO DE JANEIRO - Responsável pela construção de um novo lote de apartamentos do programa “Minha Casa, MinhaVida”, do Governo Federal, a construtora JLF Construções e Reformas encontrou no Maranhão mão de obra para seu novo empreendimento. A empresa comprometeu-se com um grupo de migrantes da cidade de maranhense de Santa Helena a fornecer: alojamentos, alimentação e emprego com carteira assinada na construção desse novo lote. Porém, ao chegarem ao Rio de Janeiro os funcionários se depararam com uma realidade diferente da que foi prometida. 

Um dos alojamentos que foi disponibilizado para os funcionários fica a poucos metros do canteiro de obras. Uma casa de três cômodos e sem estrutura para abrigar seis homens. “Saímos do nosso estado há uma semana com a promessa de que teríamos aqui um lugar para ficar, mas nesse alojamento que nos colocaram nossa situação está desumana. Estamos sem luz, sem água e com a casa cheia de goteira por causa das últimas chuvas, além disso, dormimos seis pessoas nesse chão”, relatou o pedreiro Magno Costa do Nascimento.

Os funcionários receberiam R$9,00 por metro trabalhado. Porém, segundo eles, os pagamentos estão com atraso. “Nos foi prometido trabalho com carteira assinada e um pagamento por metro trabalhado, mas ainda não recebemos e pelo o que estamos sabendo, também não assinaram nossa carteira até agora”, contou Onésio de Jesus Pavão, contratado também como pedreiro.

Funcionários ficaram dias sem jantar

Em outro alojamento localizado na Rua Caparaó, um sobrado com três cômodos tem a
brigado dez pedreiros da construção. O local também apresenta condições desumanas, porém sem infiltração como no do outro grupo. Os dez funcionários se dividem entrem redes e colchonetes, fazem as refeições no local de trabalho e possuem apenas uma geladeira na casa. “Estamos aqui há um mês e meio, além da frustração de estar nesse lugar, passamos algumas necessidades. Já passamos alguns dias sem luz, sem receber a janta e com atrasos no salário. Não posso nem voltar para casa porque não tenho dinheiro para passagem”, desabafou um funcionário que preferiu não se identificar.

A condição de moradia desses funcionários era um fato desconhecido pelo sindicato da classe. O representante da corporação relatou que não é a primeira vez que a empresa seria advertida por infringir leis trabalhistas. “Já recebemos diversas reclamações sobre atrasos de pagamento da JLF, mas sobre os alojamentos é a primeira vez que presenciamos isso”, contou surpreso Francisco Soares, representante do sindicato.

Ainda segundo Francisco, a fraude começou quando inscreveram os funcionários para serem alojados em Duque de Caxias e os mesmos estavam dormindo em uma casa há poucos metros da construção. “Na ficha, consta que esses funcionários deveriam estar em Caxias, mas estão aqui nessa casa sem condições de moradia”, contou Francisco. 

O desejo dos funcionários é de retornar para o estado, porém devido aos atrasos no pagamento, terão que permanecer no Rio de Janeiro. 

Procurados para prestar esclarecimentos, o Governo do Estado não se manifestou até o fechamento dessa edição.


Via Jornal de Hoje
Por Gabriele Souza
23/03/2015