NOVA IGUAÇU - A população ribeirinha que vive às margens do rio que corta o bairro Santa Rita, em Nova Iguaçu, está vivendo dias de terror ocasionados pela cheia do córrego da Pedreirinha. Segundo os moradores locais, pessoas já foram arrastadas pela correnteza e desapareceram.
Basta apenas um dia de chuva forte para a população de uma localidade conhecida como Pedreirinha passar dias em claro.
Segundo os ribeirinhos, quando
Na tarde de ontem, a equipe do jornal de Hoje foi conferir de perto o drama da população. E a realidade é cruel. Crianças brincavam nas proximidades do barranco que aos poucos está sendo engolido pelas fortes águas que passam pelo rio. Segundo a dona de casa Nathália Bispo, de 24 anos, a situação é tão comum que já virou rotina.
"Aqui tem muitas crianças que brincam às margens do rio sem se preocupar com o risco que correm. Já teve algumas que caíram, mas por sorte, não houve nada de grave porque as águas estavam baixas. Se fosse em dia de cheia, ela tinha sido levada pela correnteza igual numa outra ocasião em que um senhor de idade caiu e desapareceu. O corpo dele foi encontrado lá nas proximidades do Iguaçu Velho", conta a moradora.
Quem também desabafou sobre o drama vivido no local foi a doméstica Josefa Pereira da Silva, 41 anos. A moradora, que sofre de uma deficiência física, conta que já teve que pedir ajuda aos vizinhos para socorrer o neto e o irmão. "O rio encheu tanto que a água veio parar dentro de casa. Parte da minha cozinha desabou e eu estava sozinha com meu neto e meu irmão que já teve derrame. Eu tive que pegar uma escada e pedir socorro aos vizinhos. Fomos socorridos por cima do muro", relata a moradora.
Ainda de acordo com Dona Josefa, a Defesa Civil esteve no local, mas nada foi feito. "Nós acionamos a Defesa Civil quando as primeiras casas foram arrastadas pelas águas. Eles prometeram fazer uma encosta para evitar que as águas transbordem para cá, mas até agora nada. Além disso, eles pediram para a gente abandonar as nossas casas porque é perigoso, mas nós não temos para onde ir. Alguns receberam R$ 500 do aluguel social e foram morar em um lugar melhor, mas eu não tenho essa ajuda e, por isso, tenho que ficar aqui”.
O secretário de Defesa Civil de Nova Iguaçu, Luiz Antunes, foi procurado e informou que parte da polução residente na localidade, está morando no local, mesmo com a orientação de abandono emitida pelo órgão. Ainda de acordo com ele, alguns deles continuam morando nas casas mesmo depois de já estarem recebendo o aluguel social.
Antunes explicou que o papel da Defesa Civil é orientar os moradores e que não faz parte da alçada do órgão expulsar ninguém de suas residências. Segundo ele, a partir do momento que elas voltam a morar nas casas mesmo após da interdição, já não é mais responsabilidade do órgão público.
Ele ainda alerta que as pessoas que moram em área de risco devem deixar suas casas e se abrigar em lugar mais seguro, em caso de chuva forte ou constante.
Por: Carla Rocha
Via: Jornal Hoje/ O Diário da Baixada
